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🟢 Quando Ninguém te Ensina a Respirar (filme 20/48)

  • Foto do escritor: André
    André
  • 14 de out. de 2025
  • 3 min de leitura

Sobre educação, coragem e o risco silencioso de viver a vida do outro.


Vídeo/Imagem: site imdb



É um filme lançado em 1989, mas ainda não o tinha visto. E vi agora pelo contexto do projeto X365. E valeu a pena, Sociedade dos Poetas Mortos é espetacular.


Vi um professor inspirador, vi adolescentes sufocados. E tem algo mais incômodo: um sistema inteiro ensinando pessoas a funcionarem….mas não a existirem.


O filme se passa em 1959, mas poderia muito bem se passar agora. Troque os corredores da universidade por salas climatizadas, metas trimestrais, expectativas familiares bem-intencionadas e discursos sobre “futuro promissor”. Muda o cenário, mas a pressão permanece. E talvez o maior mérito desse filme não seja a poesia. Seja o silêncio que ele deixa depois.


A Welton Academy se orgulhava de quatro pilares: tradição, honra, disciplina e excelência. Nenhum deles fala sobre escuta. Nenhum deles fala sobre desejo. Nenhum deles pergunta quem aquele garoto é, de fato.


John Keating entra em cena como um corpo estranho. Não porque ele seja revolucionário, mas porque ele lembra algo que todos ali esqueceram: pensar não é repetir, viver não é cumprir roteiro.


O famoso Carpe Diem nunca me soou como um chamado à impulsividade. Sempre soou como um convite à presença. “Olhe de novo”, “veja de outro ângulo”, “perceba que o tempo passa, mesmo quando você obedece.” Isso assusta mais do que desobedecer.


Neil Perry não queria ser um rebelde. Ele só queria respirar sem pedir permissão. O sonho dele não era grandioso. Era simples: atuar. Mas o sonho simples é, muitas vezes, o mais ameaçador. Porque ele não vem embalado em status, estabilidade ou orgulho familiar. O pai de Neil não é um vilão caricato. É pior. Ele acredita estar fazendo o certo. E talvez seja isso que mais destrói: quando a opressão vem disfarçada de cuidado. Neil não encontra espaço para negociação. Só encontra ordens. E quando não existe espaço interno, o corpo paga a conta.


Já Todd é o oposto. Não explode. Recolhe-se. Todd é aquele que passa anos calado, esperando alguém dizer: “fala do teu jeito, mesmo que seja estranho.” Quando ele sobe na mesa no final, não está homenageando um professor. Está reivindicando a própria voz. E isso é um ato político - mesmo sem bandeira alguma.


Muita gente interpreta o filme como um alerta contra “excessos”. Eu discordo. O perigo não está em incentivar pensamento crítico. Está em incentivar sem oferecer rede, sem diálogo, sem acolhimento fora da sala de aula. O filme não condena a liberdade. Ele denuncia o ambiente que não suporta nem um milímetro dela. Neil não morreu por ousar sonhar. Morreu porque não havia saída possível naquele sistema. E isso acontece todos os dias, de formas mais silenciosas. Gente que adoece “do nada”. Gente que perde o brilho e chama isso de maturidade. Gente que confunde obediência com caráter.


Com o tempo, Sociedade dos Poetas Mortos deixou de ser sobre escola. Virou sobre vida adulta. Sobre quantas vezes a gente aceita um caminho que não escolheu. Sobre quantas vezes chama isso de responsabilidade. Sobre quantas vezes engole a própria intuição para não decepcionar ninguém.


O filme não romantiza a dor. Ele expõe o custo de ignorar quem somos.


E talvez o maior aprendizado não seja “aproveite o dia”, mas algo mais simples e mais difícil: não entregue sua vida inteira para estruturas que não te enxergam.


Esse não é um filme confortável. E ainda bem. Ele não te deixa sair ileso porque não foi feito para entreter. Foi feito para incomodar. Ele lembra que excelência sem humanidade é só performance. Que disciplina sem escuta vira prisão. E que tradição, quando não é questionada, vira herança tóxica.


No fim, Keating sai da sala. Mas algo fica. E não é poesia, é permissão.


Talvez crescer seja isso: aprender a subir na própria mesa, mesmo quando ninguém está olhando.


Sem discurso e sem aplauso. Só pra lembrar quem você é.


Avaliação pessoal (notas 0/10):


  • Direção: 9

  • Roteiro: 10

    Fotografia: 9

  • Trilha Sonora: 8

  • Mensagem: 10

  • Nota Final: 9


Valorize quem você é....até a próxima! 😎

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