🟢 O Tempo Que Ainda é Nosso (filme 30/48)
- André

- 18 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 2 de jan.
Sobre aprender a viver o agora, antes que vire lembrança.

Vídeo/Imagem: site adoro cinema
O filme Questão de Tempo não grita, não aponta o dedo, não faz discurso motivacional. Ele só lembra algo óbvio, quase constrangedor: o tempo está passando enquanto a gente tenta controlá-lo.
Esse não é um filme sobre viajar no tempo. É um filme sobre o desperdício dele. E sobre como, mesmo sem nenhum poder especial, a maioria de nós vive como se tivesse infinitas chances de “voltar e corrigir”.
Tim descobre cedo que pode voltar ao passado. E o que ele faz com isso? Nada muito diferente do que qualquer um faria. Ele tenta melhorar a própria performance. Falar melhor. Errar menos. Parecer mais interessante. Viver uma versão editada de si mesmo.
No começo, parece inofensivo. Quem nunca quis apagar uma conversa mal conduzida? Quem nunca desejou responder diferente, agir com mais coragem, chegar um pouco antes? A viagem no tempo vira uma muleta elegante para evitar o desconforto de ser humano em tempo real.
Mas o filme vai apertando onde dói.
Cada tentativa de corrigir o passado cobra um preço silencioso. Um encontro apagado. Uma filha que deixa de existir do mesmo jeito. Um pai que continua morrendo, apesar de todo o amor e de todas as voltas no relógio. E é aí que a metáfora fica adulta.
O filme mostra que o problema não é errar. É acreditar que a vida começa depois do ajuste fino. Depois da versão perfeita. Depois que tudo estiver sob controle.
A grande virada não acontece quando Tim domina o poder. Acontece quando ele percebe que não pode salvar tudo. Nem todos. Nem sempre. E que insistir nisso é perder o pouco que já está acontecendo.
O conselho do pai é simples, quase banal: viver o mesmo dia duas vezes. Mas o subtexto é brutal. A gente vive mal a primeira vez porque está sempre em outro lugar - no medo do que vem, na culpa do que passou, na ansiedade do que falta.
Quando Tim decide parar de viajar no tempo, não é uma derrota. É maturidade. Ele entende que estar presente é mais difícil do que corrigir. Que prestar atenção cansa mais do que voltar atrás. Que viver exige coragem.
O filme escancara algo que a gente evita admitir: o agora é desconfortável porque não dá replay. Não dá ensaio. Não dá edição.
Valorizar o tempo que temos hoje não é viver intensamente o tempo todo. É viver inteiro. É almoçar sem o celular como fuga. É ouvir alguém sem já pensar na resposta. É perceber que muitos “amanhãs” são só uma forma educada de adiar a vida.
O extraordinário do filme está justamente no ordinário. No café da manhã. No caminho para o trabalho. No silêncio entre pai e filho. Nada muda no mundo de Tim quando ele para de viajar no tempo. Mas tudo muda dentro dele.
E talvez seja essa a provocação mais honesta do filme: a vida não melhora quando você controla o tempo. Ela melhora quando você respeita o que ele está fazendo com você.
Questão de Tempo não é sobre amor romântico, apesar de parecer. É sobre amor cotidiano. Aquele que não rende cena épica, mas sustenta uma vida inteira. É um filme que não pede grandes decisões. Ele pede menos pressa. Menos expectativa. Menos ilusão de que depois será melhor.
Talvez o maior luxo hoje não seja ter mais tempo, mas parar de tratá-lo como algo descartável.
O tempo não espera a gente se organizar.
Avaliação pessoal (notas 0/10):
Direção: 9
Roteiro: 9
Fotografia: 9
Trilha Sonora: 8
Mensagem: 10
Nota Final: 9
Até breve! ⏰




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