🟢 Antes que a Quinta-Feira Chegue (filme 24/48)
- André

- 25 de out. de 2025
- 3 min de leitura
O dia em que adiar a vida deixou de ser opção.

Vídeo/Imagem: site imdb
Tem filme que a gente assiste como entretenimento leve. E tem filme que chega num momento estranho da vida, encosta num ponto sensível e não pede licença. Uma Vida em 7 Dias é esse segundo tipo.
À primeira vista, parece mais uma comédia romântica dos anos 2000, com estética de TV, glamour exagerado e aquela ideia vendável de “crise existencial resolvida em duas horas”. Mas, olhando com mais calma, ele faz algo diferente: coloca um prazo naquilo que a gente sempre empurra para depois.
Eu percebo que grande parte da nossa vida é organizada como se o tempo fosse infinito. A gente marca reuniões, metas, planos, viagens, mudanças….sempre para depois. E o agora vira apenas um corredor de passagem.
Esse filme toca justamente nisso. Não pela previsão em si, mas pela pergunta implícita: o que sobra quando a imagem cai? Sem dizer nomes, sem levantar bandeiras, sem discurso pronto, ele conversa diretamente com essa filosofia de viver o presente com mais verdade, menos verniz e menos adiamento.
Lanie Kerrigan vive o que muita gente chamaria de “vida ideal”. Carreira em ascensão, aparência impecável, relacionamento socialmente validado, ambição clara. Tudo parece funcionando - por fora. Só que basta um encontro improvável, com alguém que não tem nada a perder, para o castelo tremer.
Quando o Profeta Jack diz que a vida dela não tem sentido, aquilo não dói pela previsão da morte. Dói porque, no fundo, ela já desconfiava. E essa é a parte mais honesta do filme: ninguém entra em crise por ouvir algo totalmente absurdo. A crise nasce quando alguém verbaliza aquilo que a gente evita escutar sozinho.
A contagem regressiva vira apenas um catalisador. O verdadeiro movimento é interno. Lanie começa a perceber que passou tempo demais interpretando um papel. Sendo agradável, eficiente, bem-sucedida, desejável. E pouco tempo vivendo de verdade.
Não é sobre largar tudo, fugir do mundo ou virar outra pessoa. É sobre perceber o quanto da vida foi consumido tentando atender expectativas que não eram dela.
O filme acerta quando mostra que aproveitar a vida não é fazer loucuras grandiosas. É algo muito mais simples - e por isso mais difícil:
dizer o que pensa sem roteiro
rir fora de hora
se permitir errar em público
escolher pessoas, não vitrines
viver experiências que não rendem currículo
Quando ela começa a fazer isso, curiosamente, a carreira melhora. Mas aí já não é mais o centro. O centro passa a ser o agora. E isso conversa muito com essa ideia de vida em camadas, em frentes, em presença. Não uma vida performada para o futuro, mas construída no dia de hoje. Sem esperar uma autorização externa para existir.
O romance com Pete só funciona porque ele não compra a personagem. Ele enxerga a pessoa antes da repórter. Antes da imagem. Antes do status. E talvez seja isso que mais assuste: quando alguém nos vê de verdade, não sobra muito espaço para a mentira confortável.
A previsão da morte perde importância ao longo do filme porque Lanie entende algo fundamental: o problema nunca foi morrer em sete dias, mas viver como se não estivesse viva.
Aproveitar a vida, ali, não é hedonismo vazio. É presença, é escolha. É coragem de habitar o momento sem maquiagem emocional.
Esse filme não é profundo no sentido acadêmico. Nem pretende ser. Mas ele é honesto em algo que muita gente evita: mostrar que a maior parte das nossas angústias nasce do adiamento da vida.
A gente adia conversas.
Adia viagens.
Adia mudanças.
Adia decisões simples.
Adia o prazer.
Adia o descanso.
Adia o encontro.
E chama isso de responsabilidade.
Uma Vida em 7 Dias me lembra que aproveitar a vida não é irresponsabilidade - é lucidez.
Não precisa de profecia. Não precisa de prazo fatal. Não precisa de choque. Mas, se precisar, que sirva ao menos pra isso: tirar o peso de viver para depois.
Minha avaliação pessoal é simples: é um filme que cresce quando assistido com menos cinismo e mais escuta. Ele não ensina como viver, mas cutuca a pergunta certa. E isso já é muito.
Talvez a vida não esteja acabando na próxima quinta-feira. Mas o agora está passando exatamente enquanto você lê isso.
Vale a pena aproveitar.
Avaliação pessoal (notas 0/10):
Direção: 8
Roteiro: 9
Fotografia: 7
Trilha Sonora: 7
Mensagem: 10
Nota Final: 8
Fico por aqui, lembrando que o tempo não avisa - ele só passa! 🤗




Comentários