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🟢 O Dinheiro Não Dorme (filme 26/48)

  • Foto do escritor: André
    André
  • 31 de out. de 2025
  • 3 min de leitura

Uma história sobre inteligência e vaidade.


Vídeo/Imagem: site adoro cinema



Eu comecei esse documentário sem grandes expectativas....achei que seria mais um daqueles produtos que reciclam escândalos conhecidos, com depoimentos ensaiados e conclusões óbvias. Não foi.


“Doleira: A História de Nelma Kodama” se destaca não pelo crime em si, mas pela lógica. Pela cabeça. Pela forma como certas pessoas passam a viver num mundo paralelo onde tudo gira, tudo flui, tudo acontece rápido demais - e onde parar nunca é uma opção.


Enquanto assistia, fiquei pensando como algumas trajetórias não começam com maldade, mas com competência mal direcionada. E como, em certos ambientes, inteligência vira vício.


Nelma não entra em cena pedindo desculpas. Ela não se coloca como vítima. Ela não tenta convencer ninguém de que foi injustiçada. Pelo contrário. Ela fala como quem narra uma carreira. E isso é desconcertante.


Ela descreve o sistema como quem descreve uma engrenagem elegante. Pessoas, fluxos, horários, códigos. Tudo funcionando, tudo sob controle. Na cabeça dela, não havia caos. Havia método.


O documentário vai mostrando, quase sem precisar julgar, que Nelma não se via à margem. Ela se sentia no centro. Um centro invisível, mas essencial. O tipo de pessoa que ninguém vê, mas sem a qual nada acontece. E talvez seja aí que mora o perigo.


Existe um ponto - e isso vale pra qualquer área da vida - em que você deixa de trabalhar no sistema e passa a existir apenas para mantê-lo vivo. O dinheiro não dorme. As operações não dormem, as oportunidades não dormem. E você também não.


A prisão no aeroporto, com euros escondidos na calcinha, vira símbolo disso tudo. Não pelo escândalo, mas pelo excesso. Pelo limite ultrapassado há muito tempo. Aquilo não foi um erro isolado. Foi só o momento em que o corpo não aguentou mais sustentar a lógica.


Quando ela canta na CPI, aquilo não é deboche gratuito. É performance. É alguém que entende que, quando a narrativa técnica pode te esmagar, o espetáculo pode te salvar - nem que seja por alguns minutos. E o mais inquietante: funciona.


Existe uma linha muito fina entre intensidade e aprisionamento. Entre controlar tudo e ser controlado por tudo. O documentário não fala de escolhas cotidianas, mas ele grita sobre elas. Sobre como ambientes de alta pressão normalizam o excesso. Sobre como o “depois eu descanso” vira um estado permanente. Sobre como a vaidade não é só estética - é acreditar que você é insubstituível. E quando a vida vira só fluxo, sobra pouco espaço para pausa, para silêncio, para consequência.


Não é uma história sobre dinheiro ilegal. É uma história sobre não saber parar.


Eu terminei o documentário sem raiva, sem torcida, sem catarse. Terminei pensativo. Porque Nelma Kodama não é um monstro. Ela é um espelho distorcido de um modelo que premia resultado acima de tudo, velocidade acima de sentido, esperteza acima de profundidade.


É um bom documentário justamente porque não fecha a conta. Ele não entrega redenção nem condenação fácil. Ele mostra o que acontece quando a inteligência anda sem freio - e quando o custo vira apenas mais um número na operação.


Vale assistir não para entender a Lava Jato, mas para entender o preço de viver permanentemente ligado.


No fim, talvez a pergunta não seja “quanto vale”, mas quanto custa continuar assim.


Avaliação pessoal (notas 0/10):


  • Direção: 8

  • Roteiro: 9

  • Fotografia: 7

  • Trilha Sonora: 7

  • Mensagem: 9

  • Nota Final: 8


Até a próxima pausa necessária 😉

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