🟡 O Choque de Realidade que a Gente Evita
- André

- 27 de out. de 2025
- 2 min de leitura
O que os corredores de um hospital oncológico nos ensina sobre a urgência de ser.

Vídeo/Imagem: site portal abc
Tenho um "hábito" que muitos consideram estranho: de tempos em tempos, visitar hospitais e/ou velórios de desconhecidos para me reconectar com a brevidade de tudo. Muita gente não entende, mas para o projeto X365 - O Primeiro Ano do Resto de Minha Vida, o impacto visual do fim é mais uma forma de valorizar o agora.
Nos últimos dias dei um passo adiante nesse ritual de choque de realidade. Saí do silêncio dos cemitérios e entrei no pulsar silencioso, porém resiliente, de um hospital. Mais especificamente, estive entre pessoas que enfrentam o câncer.
Se o velório nos fala sobre o que acabou, o hospital nos grita sobre o que ainda temos.
Estar ali, cruzando olhares com quem luta contra uma doença tão agressiva, é um exercício de humildade que nenhum curso ou estratégia de negócios consegue entregar. Ali não existe o empresário, o fundador, a diretora, a CEO ou o plano para o próximo semestre. Existe apenas o corpo, a respiração e a vontade de ver o próximo sol.
O que me move a fazer isso é a necessidade de valorizar o hoje, as pessoas e a própria vida. A gente passa o dia reclamando de bobagens - o café frio, a internet lenta, o problema no trabalho - enquanto, a poucos quilômetros, alguém daria tudo apenas para ter a saúde que a gente ignora.
No hospital, a fragilidade humana fica escancarada. Vi pessoas ali que, mesmo com o peso do tratamento, ainda tinham uma dignidade e uma força que me fazem repensar cada uma das minhas "dificuldades".
A ideia central do projeto X365 Vida é valorizar o fazer, mais do que o que fazer. E o meu "fazer" de hoje foi estar presente, levar um olhar e palavra de acolhimento e, principalmente, aprender com quem está no limite.
A vida é um sopro. Quando você vê alguém lutando por um suspiro, você para de desperdiçar os seus com discussões inúteis ou preocupações com um futuro que nem existe ainda.
Minha avaliação pessoal dessa experiência é que ela é libertadora. É doloroso ver o sofrimento de perto? Sim, é brutal. Mas é o lembrete mais honesto que existe de que o tempo é a nossa única moeda real.
No hospital, você entende que não tem volta: o abraço que você não deu, a palavra que guardou, o perdão que não liberou....tudo isso vira um peso insuportável quando a saúde falha.
Saí de lá com uma urgência renovada. Não a urgência de correr, mas a de viver com verdade. Quero sentir o peso do meu corpo no chão, o ar nos pulmões e a presença das pessoas que amo.
O hospital me ensinou que a vida não espera a gente estar pronto. Ela acontece agora, entre uma quimioterapia e outra, entre um despertar e outro.
A gente precisa parar de sobreviver e começar a viver por inteiro.
Sem metades. Sem desculpas.
Até breve! 🙏🏼



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