🔵🟢 A Sedução da Mentira (filme 22/48)
- André

- 22 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Como a propaganda transforma poder em espetáculo e a realidade em ficção conveniente.

Vídeo/Imagem: site mafab
O filme “O Ministro da Propaganda” não quer explicar Goebbels como homem, pai ou marido. Quer mostrar o que ele realmente foi: um engenheiro da manipulação.
O filme acompanha os últimos anos do Terceiro Reich e desmonta, peça por peça, a engrenagem que transformou mentira em verdade emocional. Goebbels não vendia fatos. Vendia sensações. Medo, orgulho, pertencimento, raiva. Ele entendeu cedo algo que ainda é atual: pessoas não se movem pela realidade, mas pela narrativa que faz sentido para elas.
Cinema, rádio, grandes eventos, símbolos, frases repetidas até virarem reflexo.
Tudo era calculado. Não para informar, mas para hipnotizar. A propaganda não precisava ser verdadeira - precisava ser convincente. E, principalmente, precisava ser repetida.
A relação de Goebbels com Hitler é quase religiosa. Ele constrói o Führer como um mito intocável, mesmo quando Berlim já está em ruínas. Quando a realidade ameaça entrar em cena, a resposta é dobrar a aposta no espetáculo. A verdade vira inimiga. O mito, prioridade.
O final é coerente com toda essa lógica perversa: se a narrativa não pode sobreviver, ela precisa morrer encenada. O suicídio da própria família não é só desespero. É o último ato de propaganda. Um fechamento “heroico” para uma história que não admite fracasso.
O filme assusta porque não fala só do passado. Ele fala do presente. De redes sociais, líderes carismáticos, métricas de engajamento, guerra de versões e realidades paralelas. Troque o rádio pelo algoritmo e o comício pela timeline.
Comunicação sem ética não informa. Domina. E quando isso acontece, o abismo nunca chega de uma vez. Ele vem bem editado, bem iluminado e com aplausos no fundo.
Avaliação pessoal (notas 0/10):
Direção: 9
Roteiro: 9
Fotografia: 9
Trilha Sonora: 8
Mensagem: 9
Nota Final: 9
Até! 🤍




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