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🟢 A Música Sempre Aponta um Caminho (filme 31/48)

  • Foto do escritor: André
    André
  • 25 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 2 de jan.

Um filme sobre perder quase tudo - e ainda assim encontrar som, sentido e gente pelo caminho.


Vídeo/Imagem: site medium



Tem filmes que não chegam fazendo barulho, eles chegam como uma música baixa num bar quase vazio, dessas que você só percebe quando já está dentro. Mesmo se Nada Der Certo é assim. Esse não é um filme sobre vencer. É um filme sobre continuar.


E isso conversa muito com a forma como eu tenho aprendido a olhar pra vida: menos idealizada, mais real, mais feita de tentativas honestas no agora - mesmo quando o cenário não ajuda.


A Gretta chega quebrada, mas inteira. O Dan chega inteiro, mas quebrado. E isso já diz muito.


Ela perdeu o amor, perdeu a referência, perdeu o lugar que achava que ocupava no mundo. Ele perdeu a carreira, perdeu a família, perdeu a própria escuta - da música e das pessoas. Os dois estão num ponto comum: quando os rótulos caem e sobra só quem você é, sem embalagem.


O encontro deles não é mágico no sentido romântico. É quase banal. Um bar qualquer, uma música cantada meio sem vontade, gente passando, copos batendo. Mas tem algo ali que só aparece quando alguém ainda consegue ouvir - mesmo bêbado, mesmo cansado, mesmo desacreditado.


E isso é um ponto forte do filme: não é sobre talento bruto, é sobre sensibilidade ativa.


Dan não vê um hit. Ele vê verdade.


A decisão de gravar um disco nas ruas de Nova York não é estética. É necessidade. Quando você não tem mais estrutura, sobra o essencial. Quando você não tem mais indústria, sobra criação. Quando você não tem mais plano, sobra presença.


E a cidade vira estúdio não porque é bonita, mas porque é viva. Carros, sirenes, vento, gente passando - tudo entra na música. Nada é limpo demais, nada é controlado demais. É quase um manifesto silencioso: a vida real também pode ser matéria-prima.


Enquanto isso, o filme vai mostrando que restaurar não é voltar ao que era antes. É aprender a funcionar de outro jeito.


Dan não vira o produtor poderoso de novo. Gretta não vira estrela pop. Eles viram pessoas um pouco mais alinhadas com o que são - e isso já é muito.


Outro detalhe que eu gosto muito: o filme se recusa a transformar tudo em romance. O vínculo deles é parceria, escuta, troca. É cuidado sem posse. É afeto sem promessa. E talvez isso seja uma das mensagens mais adultas do filme: nem toda conexão precisa virar casal pra ser profunda.


Às vezes, alguém só passa pela sua vida pra te lembrar quem você é - e segue.


Mesmo se Nada Der Certo me lembra que nem todo recomeço vem com clareza, dinheiro ou aplauso. s vezes ele vem com um violão, uma calçada, uma ideia meio maluca e a disposição de tentar mais uma vez.


É um filme que não grita. Não acelera, não promete.


Mas oferece algo raro: a sensação de que dá pra seguir criando sentido mesmo quando o plano original foi pro espaço. Pra mim, é um filme que amadurece junto com quem assiste. Cada vez que a vida muda, ele diz outra coisa.


Se nada der certo, talvez ainda dê pra ouvir alguma coisa boa no caminho.


Avaliação pessoal (notas 0/10):


  • Direção: 9

  • Roteiro: 9

  • Fotografia: 8

  • Trilha Sonora: 8

  • Mensagem: 10

  • Nota Final: 9


Até mais - escuta o que ainda te faz sentido 🎵

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