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🟢 O Corpo como Mercadoria (filme 35/48)

  • Foto do escritor: André
    André
  • 16 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 2 de jan.

A violência silenciosa de uma beleza que nunca basta.


Vídeo/Imagem: site tangerina



Vivemos numa época em que o espelho grita mais alto que o silêncio interior.


A Substância não é apenas um filme de terror corporal - é um retrato cruel de uma sociedade que ensinou pessoas, especialmente mulheres, a se odiarem com educação e filtro.


Elisabeth Sparkle não é descartada porque perdeu talento, inteligência ou presença. Ela é descartada porque o tempo passou pelo seu corpo. E, para um sistema que lucra com juventude artificial, envelhecer é um erro imperdoável. O horror do filme não nasce da droga, mas da ideia que a torna desejável: você só vale enquanto é desejável.


Sue não é uma vilã. Ela é o produto perfeito de um mercado que vende juventude como salvação, beleza como moral e corpo como capital. Quanto mais ela brilha, mais Elisabeth apodrece - e isso não é metáfora exagerada, é lógica de mercado.


Para que alguém permaneça no topo, outra parte precisa apodrecer em silêncio.


O vazio interior aparece quando tudo vira aparência. Quando o corpo deixa de ser casa e vira vitrine. Quando a identidade é substituída por performance. O filme escancara o auto-ódio como política cotidiana: mulheres ensinadas a competir consigo mesmas, a se dividir, a se consumir.


A Substância dói porque não fala de futuro distópico. Ela fala de agora. De clínicas, telas, contratos, curtidas e padrões impossíveis. O terror não está na transformação física, mas no fato de que muita gente aceitaria a troca sem ler as regras.


Talvez o verdadeiro horror seja este: aprendemos a cuidar mais da embalagem do que o que habita dentro dela.


Avaliação pessoal (notas 0/10):


  • Direção: 8

  • Roteiro: 7

  • Fotografia: 8

  • Trilha Sonora: 6

  • Mensagem: 8

  • Nota Final: 7


Tchau! 💀

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