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🟢 Não é Sobre Vencer (filme 25/48)

  • Foto do escritor: André
    André
  • 28 de out. de 2025
  • 3 min de leitura

É sobre viver inteiro, mesmo quando o corpo falha.


Vídeo/Imagem: site adoro cinema



A trajetória de Stuart Long não me tocou por causa da fé em si, nem pela transformação clássica que o cinema gosta de vender. O que me fisgou foi outra coisa: o momento exato em que alguém percebe que não adianta mais fugir da própria vida - e decide, finalmente, habitá-la.


Eu venho pensando sobre isso: sobre quantas vezes a gente insiste em disputar uma existência que já não é mais nossa, tentando manter versões antigas de força, sucesso ou controle. E como, às vezes, a vida não tira tudo de nós - ela apenas muda o campo da luta.


Essa história não fala de virar santo. Fala de parar de desperdiçar o agora.


Stuart começa como alguém que aprendeu cedo a resolver tudo no embate. Boxeador, pesado, agressivo, acostumado a medir valor pela pancada mais forte. Quando o corpo falha, ele tenta outro ringue: Hollywood. Troca o soco pela imagem, o suor pelo espelho, a dor pelo ego.


Nada encaixa. E, no fundo, ele sabe.


O acidente de moto não é o ponto de virada místico que o cinema costuma exagerar. Ele é só o instante em que o corpo diz: “chega”. E quando o corpo para, a mente finalmente escuta. Não porque ficou iluminada, mas porque ficou sem saída.


O que mais me chama atenção é que Stuart não se transforma em alguém doce, leve ou espiritualmente polido. Ele continua áspero, direto, desconfortável. Só que agora ele para de lutar contra o que viveu e começa a usar isso como linguagem.


Quando a doença chega - lenta, humilhante, irreversível - o roteiro poderia cair na armadilha da superação inspiracional. Mas não. O que acontece é mais duro e mais honesto: ele entende que não vai melhorar. Então decide não adiar mais nada. Isso muda tudo.


Ele não usa a fé como fuga. Usa como ferramenta. Não para negar a dor, mas para estar inteiro dentro dela. É nesse ponto que a história deixa de ser religiosa e se torna profundamente humana.


Eu vejo ali algo muito simples e muito raro: alguém que percebe que aproveitar a vida não é sobre prazer constante, mas sobre presença radical. É sobre parar de esperar o cenário ideal para existir.


Stuart perde força física, mas ganha uma autoridade que não vem do cargo, nem do discurso bonito. Vem do corpo quebrado que não mente. Ele fala com gente esquecida porque ele também foi esquecido. Fala com quem caiu porque ele caiu antes. Nada ali é abstrato. Tudo é vivido.


E talvez seja isso que mais me atravessa: a ideia de que nada do que fomos se perde quando paramos de resistir à própria história. A disciplina do boxe, a agressividade, o erro, o fracasso - tudo vira matéria-prima quando a gente para de tentar parecer outra coisa.


No fundo, essa história não é sobre fé. É sobre parar de desperdiçar tempo tentando vencer a vida….e começar a vivê-la enquanto dá.


Esse filme não me inspira a ser melhor. Ele me lembra que aproveitar a vida não é fazer mais, correr mais, conquistar mais. Às vezes, é aceitar que o campo diminuiu - e mesmo assim jogar inteiro dentro dele.


Stuart não venceu a doença. Ele venceu a fuga.


E talvez esse seja o único tipo de vitória que realmente importa: quando a gente para de lutar contra quem é e começa a viver com o que tem, agora, do jeito que dá.


É um filme duro, imperfeito. Justamente por isso, necessário.


Se a vida apertar, talvez não seja o fim do caminho. Talvez seja só o convite para parar de adiar.


Avaliação pessoal (notas 0/10):


  • Direção: 9

  • Roteiro: 9

  • Fotografia: 7

  • Trilha Sonora: 8

  • Mensagem: 10

  • Nota Final: 9


A gente se lê no próximo round 😉

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