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🔵 O Púlpito como Balcão e a Fé como Algema

  • Foto do escritor: André
    André
  • 26 de dez. de 2025
  • 5 min de leitura

Entre o estudo do sagrado e a prática da dominação: por que escolhi a liberdade em vez do rebanho.


                                            Vídeo/Imagem: site google



Atenção: Antes de prosseguir, gostaria de deixar claro que este relato não tem a intenção de desrespeitar nenhuma crença ou opinião. Apenas compartilho minhas reflexões sobre o tema, com a humildade de quem sabe que não possui todo o conhecimento sobre a verdade. Se você estiver disposto(a) a ler um ponto de vista que pode ser diferente do seu, siga em frente! Leia de novo esse trecho. Entendeu? Ok, então pode seguir lendo o relato.


Neste ano todo, mas principalmente neste segundo semestre, eu me aprofundei na fé que habita o íntimo de cada um de nós e como ela age no inconsciente coletivo. Foi um mergulho necessário para quem, como eu, decidiu que a reconstrução da própria história não passaria por fórmulas prontas ou respostas terceirizadas.


Deixo registrado logo de cara: respeito profundamente a fé alheia, aquela chama silenciosa que move montanhas internas, mas não sigo nenhuma religião. Minha busca é pela essência, não pelo fardamento.


Essa posição não nasceu do nada.


Eu já havia começado na faculdade anos atrás, mas, recentemente, finalizei meu curso livre de Teologia, um processo que me deu mais uma base teórica para entender como as estruturas do pensamento religioso foram sendo esculpidas ao longo dos séculos.


Mas eu não queria apenas o papel; eu queria o chão batido.


Por isso, neste ano, visitei dezenas de denominações, das quatro principais religiões (umbanda, católica, evangélica, espírita) do país, pra conhecer, in loco, como a engrenagem funciona. E quero destacar também: fui muito bem acolhido em 95% delas....das menores que cabem 15 pessoas e ficam nos bairros às gigantes que cabem mais de 6.000 fiéis e ficam nos grandes centros.


Nos bancos das igrejas católicas, senti o peso do silêncio e o rito das missas. Frequentei templos evangélicos, onde a energia e a retórica muitas vezes se misturam de forma intensa. Participei de estudos e trabalhos em centros espíritas e terreiros de umbanda. Fiz isso para ter conhecimento de causa. Queria ver nos olhos de quem conduz e de quem é conduzido se o que estava nos livros batia com o que eu sentia na pele. Longe disso.


O que encontrei foi um panorama que me forçou a ser incisivo. O problema nunca foi o sagrado, mas os atravessadores dele.


Existe uma mecânica perversa em jogo em muitos desses espaços. Do abuso psicológico ao sexual. Triste.


Quando eu olho para o pilar de desenvolvimento que estabeleci pra mim, percebo que ele exige lucidez. E a lucidez é a primeira coisa que muitos líderes tentam confiscar. Percebi que o roteiro se repete, não importa o CNPJ da instituição: eles identificam a fragilidade humana - aquele momento em que o cansaço ou a dor batem à porta - e usam isso como isca. Onde deveria haver acolhimento, muitas vezes existe um "balcão de negócios" sofisticado.


Por que diabos aceitamos que as religiões e suas mentiras estruturadas sejam imunes ao questionamento? Parece que o sagrado virou um escudo para o absurdo.


Eu prezo pelo respeito, sempre, mas respeito à crença alheia não significa aceitar ser feito de trouxa por discursos ensaiados e músicas altas que visam apenas o controle. Se uma estrutura não suporta uma pergunta honesta sem recorrer à ameaça da punição divina, ela não é um porto seguro, é uma armadilha. Respeito a fé, mas questiono - com todas as letras - o sistema que a embala pra venda.


A tal da fé cega, que muitos vendem como virtude, pra mim é uma ferramenta de contenção. Vi pessoas entregando sua autonomia e seu senso crítico em troca de uma promessa de pertencimento que nunca se completa, pois a régua da obediência é sempre movida um pouco mais pra frente.


O líder se coloca como o único intérprete autorizado do divino, e qualquer pergunta que fuja do roteiro é lida como sinal de orgulho ou falta de espiritualidade. É uma forma de desarmar o indivíduo, deixando-o nu perante o sistema.


A conta é simples: espiritualidade sim, religião não! Enquanto a espiritualidade liberta e expande a consciência, a religião, na maioria das vezes, segrega, cria muros e gera ódio sob o pretexto de "zelo".


Vi de perto como o discurso do amor é rapidamente substituído pelo julgamento de quem está fora do "círculo dos eleitos".


Não faz sentido buscar o divino em algo que divide a humanidade entre "nós" e "eles". Prefiro o vasto campo da minha própria busca interna do que os cercadinhos de dogmas que, no fim do dia, só servem para alimentar o ego de quem segura o microfone.


Estudar teologia me mostrou que o Jesus histórico estava muito mais próximo do questionamento e da ruptura do que dessa obediência mansa que muitos pastores e padres pregam hoje.


O que vejo em muitos púlpitos é a instrumentalização do medo. Usa-se a culpa para manter a engrenagem girando e o dízimo entrando. É uma engenharia do controle emocional que se alimenta da necessidade que todos temos de encontrar sentido. Quando o "sagrado" exige que você pare de pensar para poder sentir, o que ele está oferecendo não é liberdade, é uma nova forma de prisão.


No projeto X365 Vida, o pilar que chamo de "Evoluir" passa longe de ser um seguidor de ordens. Ele trata de ser o dono da própria biblioteca interna. É sobre ler a Bíblia inteira, como eu fiz, para perceber as contradições e não ser enganado por versículos isolados que justificam preconceitos ou arrecadações financeiras. É sobre olhar para um líder e ver um homem comum, passível de erros e interesses, e não um emissário intocável.


Escolhi não ter religião justamente porque prezo pela minha conexão com o que é maior. Não aceito que minha espiritualidade precise de um carimbo institucional pra ser válida.


O que li, assisti, ouvi e, principalmente, presenciei este ano, foi o suficiente para entender que, quando a religião vira um sistema de poder, ela se torna o oposto de sua promessa original. Ela passa a mandar em vez de servir. E eu não troco a minha liberdade de pensamento por nenhum lugar no céu prometido por quem não consegue manter a decência aqui na terra.


A vida real acontece no agora, nas escolhas conscientes e na coragem de sustentar o próprio olhar diante do mistério.


Prefiro a dúvida honesta do que a certeza comprada em prestações espirituais.


Se para pertencer eu preciso silenciar minha inteligência, então o meu lugar é do lado de fora, onde o ar é mais puro e a verdade não tem dono.


No fim das contas, a fé que realmente transforma é aquela que nos devolve a nós mesmos, com mais força e autonomia. Qualquer coisa que peça pra você se encolher para caber em um templo não é digna da grandeza humana.


Sigo firme no meu caminho, sem intermediários, sabendo que a minha reconstrução não depende de bênçãos autoritárias, mas de um passo sincero por vez.


Este relato é minha opinião direta e transparente sobre o que vi e estudei. É o resultado de um ano de observação técnica e vivência prática.


Não busco aprovação, busco coerência.


Ano que vem tem mais.


Abençoado seja!


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