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🟢 Não é só Sobre Música (filme 37/48)

  • Foto do escritor: André
    André
  • 29 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Whitney Houston, a voz que o mundo aplaudiu - e a mulher que quase ninguém escutou.


Vídeo/Imagem: site prime video



Este foi o último filme que assisti dentro do Ano I do projeto X365 - O Primeiro Ano do Resto de Minha Vida e que registrei. Eu vi outros também, porém eram mais 'passatempo' ou não tinham muito a ver com a ideia do projeto. Não consegui ver 48 filmes - ou seja, seriam 4 por mês, sendo 1 por semana, até porque a demanda de atividades e outros afazeres foi grande nesse ano. Mas estou muito realizado com estes que aqui registrei e espero que você curta também. E, pra finalizar, vi essa cinebiografia de uma cantora que, confesso, não conhecia a história de vida....bom, mas vamos à resenha.


Há histórias que o sucesso não consegue salvar. I Wanna Dance with Somebody acerta justamente onde muitas cinebiografias erram: ele entende que celebrar uma artista não significa apagar a pessoa. Whitney Houston não foi apenas “A Voz”. Foi uma mulher atravessada por expectativas, cobranças, silêncios e um amor constante - e nem sempre gentil - do público.


O filme começa onde tudo costuma ser mais puro: a igreja. Whitney surge cantando no coral, cercada de fé, família e música como expressão de afeto. Ali, cantar não era performance - era pertencimento. Esse detalhe importa, porque tudo o que vem depois parece uma lenta desconexão desse lugar inicial.


A relação com a mãe, Cissy Houston, é retratada com respeito, mas também com tensão. Existe amor, mas existe controle. Existe proteção, mas também projeção. Whitney cresce ouvindo que é especial, e cresce, ao mesmo tempo, sem aprender a ser comum. E ninguém sobrevive ileso quando nunca pode ser só gente.


Clive Davis surge como uma figura interessante: não o vilão clássico da indústria, mas alguém que entende o talento como produto e, ao mesmo tempo, o respeita. O problema é que mesmo o respeito, quando mediado por contratos, rankings e expectativas globais, cobra um preço alto. Whitney não escolhia apenas músicas. Ela precisava sustentar uma imagem.


O filme toca num ponto delicado e raramente tratado com honestidade: a cobrança racial. Whitney foi criticada por “não ser negra o suficiente”, por agradar públicos demais, por não caber nas caixinhas identitárias que o mercado e a militância cultural tentavam impor. Era talento demais para ser controlado - e isso incomoda.


No campo afetivo, o longa não romantiza. A relação com Robyn Crawford aparece como espaço de acolhimento e verdade, algo que o mundo não estava pronto para aceitar. Já o casamento com Bobby Brown escancara o caos: amor misturado com exposição, dependência emocional, autossabotagem e espetáculo público da dor privada.


A pressão do sucesso é tratada como algo físico. Whitney não apenas canta - ela sustenta uma máquina. A família, a gravadora, o público, os prêmios, as manchetes. Quando o filme mostra o uso de drogas, ele não faz apologia nem moralismo. Mostra fuga. Mostra alguém tentando silenciar o barulho do mundo.


E aí vêm os momentos icônicos. O hino nacional no Super Bowl não é só um show: é uma mulher carregando um país inteiro na voz. O Guarda-Costas não é só um filme de sucesso: é o instante em que Whitney vira definitivamente uma entidade global. O medley no American Music Awards é arrebatador porque ali ela não compete - ela lembra a todos quem ela é.


O acerto maior do filme é não reduzir Whitney à tragédia. Ele não termina na queda. Ele insiste na música. Insiste na força criativa que nunca foi anulada, mesmo quando o corpo e a mente estavam exaustos. A voz permanece como um testemunho: havia ali algo indomável.


Talvez o desconforto que o filme cause venha daí. Ele nos obriga a olhar para o consumo que fazemos de pessoas talentosas. Aplaudimos, exigimos, cobramos coerência, pureza, perfeição - e chamamos isso de amor. Mas amor que não escuta não é amor. É apropriação.


Whitney Houston foi celebrada em vida e abandonada em sofrimento. O filme não acusa diretamente, mas deixa a pergunta no ar: quantas vezes confundimos admiração com direito de posse?


No fim, I Wanna Dance with Somebody não é só sobre música. É sobre o custo de ser extraordinário num mundo que não sabe cuidar do que é raro.


Avaliação pessoal (notas 0/10):


  • Direção: 9

  • Roteiro: 9

  • Fotografia: 8

  • Trilha Sonora: 9

  • Mensagem: 10

  • Nota Final: 9


Que a gente aprenda a escutar antes de aplaudir! 🤍🙏🏼

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