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🟢 Gentileza Também é Cuidado Psicológico (filme 36/48)

  • Foto do escritor: André
    André
  • 23 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

O Pior Vizinho do Mundo e a urgência de levar a saúde mental a sério.


Vídeo/Imagem: site sony pictures



Vivemos um tempo em que estar cansado virou identidade e a tristeza profunda, quando silenciosa, costuma ser confundida com mau humor. O Pior Vizinho do Mundo começa exatamente nesse ponto de erro coletivo: Otto não é um homem difícil - é um homem adoecido.


Otto perdeu a esposa, mas perdeu junto o sentido da vida. O filme tem a coragem de mostrar algo que muita gente evita: o luto não é só choro. Às vezes, ele se manifesta como rigidez, isolamento, raiva do mundo, intolerância com o erro alheio. A dor não elaborada endurece. E quem endurece passa a ser visto como problema, não como alguém pedindo ajuda.


A depressão de Otto não é romantizada. Ela é metódica, repetitiva, silenciosa. Ele acorda, cumpre tarefas, fiscaliza regras, tenta morrer. Tudo com a mesma disciplina. O filme nos lembra que saúde mental não tem aparência fixa - alguém pode estar “funcionando” e ainda assim estar quebrado por dentro.


É aí que Marisol entra como um desvio de rota. Não como salvadora, não como terapeuta, mas como presença. Ela não cura Otto com discursos, mas com insistência afetiva. Ela ocupa espaço. Ela não pede licença para existir perto dele. E isso importa mais do que qualquer frase pronta.


O que o filme mostra, com delicadeza, é que saúde mental também é coletiva.


Otto só começa a melhorar quando é convocado de volta para a vida - não por obrigação moral, mas por vínculo. Quando alguém precisa dele. Quando ele volta a fazer parte de algo maior que sua dor.


Os flashbacks deixam isso ainda mais claro: Otto sempre foi alguém que se conectava através do cuidado. O luto não apagou quem ele era, apenas congelou. E congelamento emocional não se resolve com pressa, cobrança ou julgamento - se resolve com tempo, escuta e pequenas responsabilidades compartilhadas.


Num mundo que medicaliza tudo ou ignora tudo, o filme propõe um terceiro caminho: humanidade. Nem todo sofrimento precisa virar diagnóstico imediato. Mas todo sofrimento precisa ser levado a sério. A linha entre “ele é só ranzinza” e “ele está em risco” é muito mais fina do que gostamos de admitir.


O filme também faz um alerta importante: homens mais velhos, especialmente, são ensinados a não pedir ajuda. A resolver sozinhos. A serem úteis ou invisíveis. Otto carrega isso no corpo. E o preço dessa cultura é alto demais.


Quando Otto começa a ajudar os outros - o amigo ameaçado pela imobiliária, o jovem trans, os vizinhos atrapalhados - ele não está apenas sendo ético. Ele está se regulando emocionalmente. Ajudar, aqui, não é sacrifício: é âncora.


No fundo, O Pior Vizinho do Mundo não fala sobre um homem difícil. Fala sobre o quanto estamos falhando em cuidar uns dos outros num tempo em que todo mundo parece forte demais para pedir colo e fraco demais para aguentar sozinho.


Cuidar da saúde mental hoje passa por terapia, sim. Passa por política pública, sim. Mas passa também por algo mais simples e mais raro: presença, paciência e gentileza cotidiana.


Às vezes, salvar alguém começa com um café mal-humorado, uma conversa atravessada ou uma porta batida que você decide não fechar de vez. Só precisamos ajudar a inverter essa lógica.


Avaliação pessoal (notas 0/10):


  • Direção: 9

  • Roteiro: 8

  • Fotografia: 8

  • Trilha Sonora: 7

  • Mensagem: 10

  • Nota Final: 8


Seja menos regra, mais gente.....tchau! 😘

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